Responda rápido: você consome pouco, mais ou menos ou muito sal diariamente? Alguns certamente irão dizer que ingerem uma quantidade bem pequena do alimento, pois preferem temperar a salada somente com azeite e limão, não acrescentam a substância à comida, e outras medidas semelhantes.
É exatamente esse grupo que ficará surpreso com a notícia de que 75% do sal que consumimos vem dos alimentos industrializados. Ou seja, apenas 25% origina-se dos alimentos naturais e do sal acrescentado na hora do cozimento ou como tempero daquela saladinha.
Mas não adianta afirmar que você não come alimentos industrializados. Nos dias atuais, é praticamente impossível que isso ocorra. A não ser que você viva em alguma comunidade isolada, que não tenha contato com a civilização, por conseqüência, com enlatados, ensacados e embalados de uma maneira geral...
Uma pessoa deve ingerir no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher rasa das de chá do alimento. Mas o brasileiro consome diariamente quase o dobro disso, principalmente porque o cloreto de sódio está presente em muitos alimentos industrializados.
PITADAS DE SAÚDE
Existem várias possibilidades para você diminuir o consumo de sal de sua alimentação. “Afinal, os alimentos que ingerimos na forma natural, sem adição de sal, já contêm uma pequena quantidade, suficiente para suprir nossas necessidades do nutriente”, explica o infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Confira as dicas do especialista:
* Deixe o saleiro fora de seu alcance durante as refeições. O ideal é guardá-lo no armário e não colocá-lo à mesa.
* Dê mais sabor ao seu cardápio, misturando alguns temperos saborosos, como os marinados, vinagres balsâmicos, vinagres de fruta, alho, sucos cítricos, ervas e temperos aromáticos (como sementes de coentro, sementes de cominho, pimenta, alecrim em pó, tomilho e orégano).
* Atenção ao rótulo: o sal pode vir disfarçado de sódio, cloreto de sódio, glutamato monossódico ou bicarbonato de sódio.
* Use margarina sem sal.
* Cuidado com os condimentos comerciais como mostarda, ketchup, molhos prontos para saladas e outros.
* Comidas de restaurantes fastfood são freqüentemente ricas em sódio (apenas um sanduíche pode chegar a ter a quantidade que você necessita do nutriente por dia). Evite-as ou escolha uma porção pequena.
O sal e o sódio
Mas antes de se desesperar, é importante saber que o sal é um alimento essencial para o bom funcionamento do organismo. Ele é uma mistura de cloreto de sódio (sódio mais cloro), iodeto de potássio (responsável pela presença do iodo), ferrocianeto de sódio e alumínio silicato de sódio (responsáveis pela diminuição da umidade do produto, evitando que o sal empedre). Tanto o sódio quanto o potássio ajudam na manutenção da pressão sangüínea, uma vez que regulam a passagem de líquidos pelas células.
“O sódio também atua na transmissão de impulsos nervosos em todo o corpo, permitindo assim o funcionamento do cérebro e o controle de nossas funções vitais”, explica Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista e Chefe da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp. Já o cloro é fundamental para o processo digestivo.
No estômago, ele é a base para o suco gástrico, que “quebra” e ajuda a digerir os alimentos. Também aumenta a capacidade do sangue de carregar gás carbônico das células para o pulmão. O cloreto de sódio está presente em todos os tecidos e fluidos do organismo humano, como o suor e as lágrimas.
Por essa razão sua falta pode, por exemplo, causar distúrbios mentais, hipotireoidismo, aborto espontâneo, nascimento de bebês mortos e de crianças com baixo peso. Isso não significa que o sinal está verde para o sal.
Como qualquer outro alimento, ele precisa ser ingerido na quantidade adequada para produzir benefícios e afastar os riscos ligados ao seu consumo excessivo. Por isso, os especialistas fazem um alerta: sal é diferente de sódio. Pode parecer óbvio, mas muita gente acredita que são sinônimos e na hora de ler os rótulos dos produtos só levam em consideração a quantidade de sódio, que é apenas um dos componentes do tempero.
NA PRATELEIRA
O sal é encontrado basicamente em três versões no mercado. Veja as diferenças entre cada uma de suas versões:
REFINADO
O sal de cozinha é obtido a partir da água do mar ou de minérios. No processo de refino do sal há a retirada de nutrientes e acréscimo de conservantes.
MARINHO
É quase todo originário do Rio Grande do Norte (92%). Ele preserva cerca de 84 tipos de nutrientes que são eliminados na refinação do sal comum. Dele, deriva o sal grosso usado em churrascos.
LIGHT
Além de cloreto de sódio, contém cloreto de potássio, que fica menos tempo no organismo. Isso faz com que a retenção de água no corpo dure menos tempo. Mas doentes renais devem evitá-la, pois o potássio pode ser prejudicial aos rins com problemas.
Essa é uma conduta incorreta, que leva a conseqüências perigosas. Isso porque a pessoa pode fazer o cálculo nutricional do seu consumo diário de sal, tomando como referência o sódio. Só para se ter uma idéia, de acordo com as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, editado em 2006, uma pessoa deve consumir no máximo 5 gramas de sal por dia (o equivalente a uma colher rasa das de chá do alimento). Ocorre que a quantidade total de sódio nestas 5 gramas é de apenas 2,4 gramas. O problema, conforme esclarece Maria Del Rosário Zariategui de Alonso, médica nutróloga e membro do International Colleges for Advancement of Nutrition (ICAN), é que os produtos industrializados se limitam à quantidade de sódio na embalagem — e não de sal —, induzindo o consumidor a achar que está consumindo uma quantidade menor de sal.
PREÇO SALGADO
A ingestão exagerada de sal faz mal, causando principalmente retenção de líquido e elevação da pressão arterial. “Além de aumentar o risco do desenvolvimento de câncer de estômago”, adiciona o nutrólogo José Alves Lara Neto, de São Carlos (SP). Conheça as doenças determinadas pelo consumo desenfreado de sal:
HIPERTENSÃO ARTERIAL
O cloreto de sódio é um dos responsáveis pela retenção de líquido no organismo. Com isso, há um aumento no volume de sangue que circula pelos vasos sangüíneos, o que eleva a pressão arterial.
Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo, revelou que os pacientes hipertensos desconhecem que extrapolam no consumo do alimento, ingerindo até quatro vezes do que deveriam. As pesquisadoras Maria Cecília Bueno Jayme Gallani e Maria Carolina Salmora Ferreira, ambas enfermeiras, orientam esses indivíduos a afastarem da mesa os embutidos, os enlatados e os temperos prontos e ficarem atentos à concentração de sódio mostrada no rótulo dos produtos.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
A elevação da pressão arterial também é um fator de risco para as doenças cardiovasculares. Vale ressaltar que isso leva a um dano progressivo da parede vascular, colaborando para o surgimento de problemas como a aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nos vasos sangüíneos, responsável pelo seu entupimento e enrijecimento).
PROBLEMAS RENAIS
O consumo excessivo de sal, ao causar hipertensão, sobrecarrega os rins, alterando a função destes órgãos e colaborando para o acúmulo de substâncias nitrogenadas (tóxicas) no sangue.
RETENÇÃO HÍDRICA
O excesso de sódio no sangue eleva a retenção de água, o que pode provocar, além de inchaço, edemas pelo corpo.
Fonte: Revista Viva Saúde